PortugalBIM: quando a estratégia nacional confirma o que já estávamos a fazer

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 89/2026 aprova a PortugalBIM — a estratégia nacional para a adoção da metodologia BIM na construção civil em Portugal. Para quem trabalha neste setor há anos, a notícia não é uma surpresa. É, antes, o reconhecimento formal de uma mudança que já estava em curso.

 

O que é BIM na construção civil — e o que não é

 

Esta é, provavelmente, a pergunta mais importante — e a mais mal respondida — quando se fala de BIM.

O que significa BIM na construção civil? Building Information Modelling é, acima de tudo, uma metodologia de gestão de informação. Não é um software. Não é uma ferramenta. É a forma como pessoas, processos e dados se coordenam ao longo de todo o ciclo de vida de um ativo: do projeto à obra, da operação à manutenção.

O software — Revit, Archicad, ou qualquer outra plataforma — é apenas o meio. O que a tecnologia BIM na construção civil transforma de verdade é a forma como a informação é criada, partilhada e usada por todos os intervenientes de um projeto.

É esta distinção que a PortugalBIM — alinhada com a revisão esperada da ISO 19650 em 2026 — vem reforçar.

 

Equipa a trabalhar com metodologia BIM na construção civil em reunião de coordenação

Onde a integração vertical faz a diferença

 

As vantagens do BIM na construção civil são amplamente documentadas: menos erros de coordenação, medições mais rigorosas, decisões mais informadas. Mas para grupos com um ciclo de negócio integrado — promoção, projeto, construção e gestão de ativos sob o mesmo ecossistema — o impacto é de outra ordem.

Quando todos os departamentos partilham o mesmo modelo de informação, a coordenação entre stakeholders torna-se mais ágil e a tomada de decisão tem uma base comum. Não há necessidade de traduzir informação entre equipas porque, estruturalmente, falam a mesma linguagem.

É aqui que o uso do BIM na construção civil transcende a eficiência operacional e passa a ser um fator de qualidade e de competitividade.

 

Diagrama da metodologia BIM na construção civil — integração de dados geográficos, documentação, gestão e coordenação de equipas

Além dos usos tradicionais

 

A metodologia BIM na construção civil tem usos já bem estabelecidos: modelação, coordenação de especialidades, medições, orçamentação. Mas a evolução da abordagem abre portas a um conjunto mais alargado de aplicações:

  • Articulação de informação BIM com dados geográficos (SIG/GIS)
  • Integração com plataformas de gestão de operações e manutenção (FM)
  • Verificação automática da qualidade e consistência da informação
  • Redação assistida de documentação normativa e cadernos de encargos BIM
  • Desenvolvimento de soluções internas que articulem a informação de projeto com os restantes departamentos do Grupo

 

Estes usos representam a próxima fronteira — e é precisamente onde a estratégia nacional cria as condições para que o setor avance em conjunto.

 

O que muda com a PortugalBIM

 

A estratégia nacional serve dois propósitos complementares. Por um lado, cria um referencial comum para todos os intervenientes — desde promotores e construtoras a projetistas e donos de obra. Por outro, alinha Portugal com as melhores práticas europeias, com implicações diretas na forma como os projetos são contratados, avaliados e financiados.

Para os grupos que já trabalham desta forma, a PortugalBIM é sobretudo uma confirmação. Para o setor em geral, é o ponto de partida.

A gestão de informação como vantagem competitiva

 

Num setor onde o ciclo de vida de um ativo pode estender-se por décadas, a capacidade de manter a informação organizada, acessível e consistente — desde a fase de projeto até à gestão do edifício em operação — não é um detalhe técnico. É uma vantagem competitiva real.

A PortugalBIM formaliza esse princípio a nível nacional. No Castro Group, é a confirmação de um caminho que já estávamos a percorrer.

 

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