Que segmentos imobiliários que vão acelerar e quais vão perder tração?

Em 2026, o mercado imobiliário português deverá consolidar o ciclo iniciado nos últimos anos, com continuidade da subida de preços, mas com abrandamento face a 2025 e num contexto de maior normalização. A procura mantém-se sólida, sustentada por fatores estruturais como o turismo, investimento estrangeiro, demografia urbana e uma economia com resiliência. Não antevejo uma correção abrupta; antevejo, sim, um mercado mais profissional, transparente e orientado a dados, onde a confiança volta a ser determinante.

Os segmentos com maior tração serão a habitação acessível para classe média e jovens, o alojamento estudantil e o senior living, nichos claramente deficitários e prioritários. Veremos também ganhar espaço o build to rent profissional e projetos em periferias bem conectadas, onde preço, mobilidade e qualidade de vida se alinham. Pelo contrário, produtos indiferenciados em localizações saturadas, sem proposta de valor clara, perderão apelo. Em 2026, vence quem conhece o cliente, mapeia novas geografias e estrutura produto com rigor económico e propósito.

Os desafios mantêm-se: custos de construção, carga fiscal e a morosidade nos licenciamentos e um enquadramento de arrendamento ainda pouco equilibrado.

Contudo, as oportunidades são catalisadoras. O Plano Europeu de Habitação Acessível, o investimento em infraestruturas e a industrialização da construção criam um contexto favorável a quem aposta em ESG, tecnologia e escala. Este pode ser o ano em que passamos do diagnóstico à execução: mais oferta, melhor mobilidade, maior confiança no arrendamento e um setor imobiliário visto não como problema, mas como parte central da solução para a coesão social e o crescimento económico.

 

Artigo de opinião, escrito por João Garcia, no âmbito do Fórum de Opinião “Perspectivas 2026” – Revista Vida Imobiliária 257

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